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O
vinho possui papel religioso, faz bem à saúde,
coleciona amantes no mundo inteiro e é indispensável
nos jantares e almoços requintados. Sua origem divide
os estudiosos. Há evidências da bebida em tabuletas,
papiros e tumbas egípcias. Mas, se tivesse que atribuir
a origem da vinicultura onde primeiro se mencionou por escrito,
o local seria o delta do Nilo. A palavra “arp”(vinho)
foi a primeira a ser decifrada ao estudar hieróglifos
egípcios, em 1822. Na mitologia grega, Dionísius
é o deus do vinho. Na romana ele é chamado de
Baco.
Registros também comprovam que a epopéia do
vinho começou em 6.000 a.C, na Ásia Menor e
no Oriente, mais precisamente em Caucásia, região
que hoje corresponde ao Irã, Turquia e Armênia.
Essa hipótese ganha ainda mais fundamento com dados
lingüísticos. A palavra vinho tem sua origem na
antiga voz caucásica “voino”, que significa
bebida intoxicante de uvas.
Mais que uma simples bebida, o vinho passou a ter papel importante
na religião. “Dádiva de deuses”,
“sangue de Cristo”, e “essência da
própria vida” são algumas das expressões
que remetem ao signi- ?cado religioso da bebida. Na igreja
católica, por exemplo, o vinho é usado para
representar o sangue de Cristo. Na Bíblia, há
inúmeras passagens que citam a bebida. Uma delas faz
referência ao local onde pode ser o mais antigo centro
de viticultura, quando Noé plantou a vinha no local
onde hoje localiza-se o mosteiro de Etshmiadsin: “Noé,
que era lavrador, plantou a primeira vinha e bebeu o vinho...”(Génesis).
No Brasil, o vinho chegou juntamente com os primeiros portugueses
que aqui pisaram. Na carta de Pero Vaz de Caminha - o primeiro
documento brasileiro - há registros de que havia vinho
entre os mantimentos dos colonizadores: “Deram-lhes
de comer: pão e peixe cozido, confeitos, bolos, mel
e figos passados. Não quiseram comer quase nada de
tudo aquilo. E se provavam alguma coisa, logo a cuspiam com
nojo. Trouxeram-lhes vinho numa taça, mas apenas havia
provado o sabor, imediatamente demonstraram de não
gostar e não mais quiseram. Trouxeram-lhes água
num jarro. Não beberam. Apenas bochechavam, lavando
as bocas, e logo lançavam fora”.
Portugal produz excelentes vinhos. Os da região de
Porto são os mais famosos. No Brasil, as vinícolas
do Rio Grande do Sul são as mais conhecidas. Isso porque
a região possui clima adequado para o cultivo da uva
-matéria-prima da bebida. Mas, de uns tempos para cá,
o Nordeste vem se destacando também na produção
de vinho. No vale do São Francisco, há cinco
vinícolas: Botticelli, Miolo Terranova, Adega do Vale,
Garziera e Bianchetti. O vinho da região - o primeiro
vinho fino produzido nos trópicos - é mais jovem,
aromático e frutado. Esses vinhos - e outros produzidos
nos quatro cantos do mundo - podem ser encontrados na Costa
do Sauípe. Além do simples prazer de beber um
bom vinho, estudos comprovam que a bebida - se consumida de
forma moderada - faz bem à saúde. Os doutores
André A. Souto, Ivana B. Mânica da Cruz, Manuel
Carneiro, Marcus Seferin e Emílio H. Moriguchi, da
Faculdade de Química e do Instituto de Geriatria e
Gerontologia da PUC/RS, apresentaram o trabalho Benefícios
do Vinho à Saúde. Trata-se de um resumo com
os principais estudos realizados no mundo. Segundo ele, as
pesquisas comprovam que o consumo moderado do vinho previne
doenças cardiovasculares e apresenta benefícios
na quimioprevenção de vários tipos de
câncer, doenças hepáticas e senilidade.
Com tantos benefícios, o melhor é brindar com
uma boa taça de vinho.
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