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Celebrando a cultura popular
 
  Dia 22 homenageia o mais rico patrimônio de um povo.  
 
 
No mês de agosto é comemorado, no Brasil, o dia do Folclore. Um decreto federal assinado em 1965 instituiu que o dia 22 desse mês seria reservado para se cultuar as tradições, lendas e crenças brasileiras. Segundo a Carta do Folclore Brasileiro, do 1º Congresso Brasileiro de Folclore em 1951, “constituem fato folclórico as maneiras de pensar, sentir e agir de um povo, preservadas pela tradição popular, ou pela imitação”.
As manifestações culturais, a grosso modo, podem ser divididas em Erudita e Popular. A primeira abrange aquelas formas de expressão acadêmicas comumente chamadas de Artes Plásticas, como a pintura, escultura, teatro, música e dança. Já as manifestações populares, apesar de constituir um saber, costumam ser repassadas de geração em geração através da forma oral. Sob esse rótulo podem ser reunidos os cantos, cantigas, lendas, festas religiosas e brincadeiras infantis, dentre outras formas de riqueza cultural. Segundo o antropólogo Ordep Serra, chefe do Departamento de Antropologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), todos os povos e sociedades compartilham formas de expressão simbólica. “Essas tradições são repassadas através das gerações. Perde-se o contexto original e acabam sendo conservadas sem se saber o motivo”, afirrma o especialista.
Para que um certo costume seja realmente considerado folclore, dizem os estudiosos, é preciso que este seja praticado por um grande número de pessoas e que também tenha origem anônima. A expressão “folclore” nasceu através da união de dois vocábulos saxônicos. “Folk”, em inglês, significa “povo”. E “lore”, conhecimento. Assim, folk + lore (folklore) significa, na verdade, ‘’conhecimento popular’’.
Na Bahia, o folclore é rico e variado. Circular pelo Estado é presenciar uma série de histórias e tradições.
“Aqui no Estado, temos uma tradição de toadas populares fantásticas, belíssimas, e que, em muitos casos, é pouco conhecida”, atesta Serra.

Capoeira
A capoeira deve ser uma das manifestações culturais mais associadas ao estado da Bahia. Esse misto de dança e luta tem uma origem controversa. O que se sabe é que ela tem forte influência da África, de onde eram trazidos os escravos na época colonial. Utilizada como defesa, acabou ganhando longevidade nos quilombos. A capoeira acabou ganhando espaço nas cidades de Salvador, Rio de Janeiro e Recife, ainda na época colonial, e tem unicamente como arma de combate o corpo. Lutadores e instrumentistas participam das “rodas de capoeira”. Dispostos em círculo, eles entoam cantos e músicas, acompanhando o ritmo com palmas enquanto esperam a sua vez de “entrar na roda”. O “jogo de capoeira”, com golpes de ataque e defesa, acontece no centro da roda, sob os olhares atentos dos demais. Os instrumentos percussivos são o pandeiro e o atabaque, uma espécie de tambor alongado fixado ao chão e tocado com as mãos, além do berimbau.

Maculelê
O maculelê é uma dança cujos registros são encontrados em localidades do recôncavo baiano, próximas à capital, Salvador. Segundo algumas pesquisas, a manifestação veio das fazendas de canaviais para as cidades, sobretudo Santo Amaro. Pares de homens, cada qual armado de pedaços de madeira, lutam e dançam batendo e cruzando os bastões no ar. Em apresentações especiais, usa-se facões que lançam faíscas no ar a cada golpe, proporcionando um belo espetáculo.

Boi-Bumbá
Manifestação que celebra o boi, é representada por uma figura humana com cabeça de boi e lençol (branco ou colorido) dançando pelas ruas da cidade, seguido por uma multidão de curiosos, a manifestação que celebra o boi. É muito popular em festas do interior, sendo até hoje exaltada em cidades baianas como Cachoeira, Camamu, Canavieiras, Conde, Santo Antônio de Jesus, São Félix e Prado. A história dele é simples e sua origem se perdeu no tempo: Catarina, mulher do vaqueiro Pai Francisco, grávida, tem o desejo de comer a língua do boi mais formoso do patrão. Pai Francisco, para satisfazer o desejo de sua mulher, mata o boi, sendo, imediatamente, descoberto e colocado na prisão. Para resolver toda esta situação e ressuscitar o boi são invocados os poderes do doutor, do padre, de feiticeiras e do pajé. No final, conseguem trazer o animal de volta à vida, para alegria geral.